TRIPOFOBIA

Fabio abriu o streeming para escolher um filme, enquanto passava por cada um lendo a sinopse olhou de canto de olho para um que parecia sempre estar ali mas por algum motivo ele só prestara atenção agora, "Tripofobia" era o nome e no poster um homem de costas segurarava um machado em frente a uma cerca enferrujada. Ao scrolar até ele para ler a sinopse percebeu que na verdade era uma franquia, todo um universo de filmes que se multiplicavam ao lado daquele, acima e abaixo, como nunca tinha percebido? Clicou para ver.

No filme um homem chegava com um machado na casa em que era locatário para entender o porquê das reclamações dos vizinhos. Logo ao chegar, a inquilina parada num canto virou para ele mas seu rosto estava se desfazendo em pequenos furos um ao lado do outro, como se a carne estivesse enferrujando e caindo da face. O locatário se virava para fugir mas de repente a casa começava a se desfazer nos mesmos furinhos, como se uma coméia de podridão a estivesse consumindo por dentro. Ele saía da casa correndo e quando olhava a cerca, ela também estava se desfazendo em pequenos furinhos, que foram consumindo o portão, a calçada e cada vez mais se aproximando dele. Fabio tirou o filme, pois ja estava se sentindo perturbado.

Quis colocar outro filme q nada tivesse a ver com aquele último, de prefência de comédia, mas ao começar o próximo uma mulher acabara de assassinar uma criança com um machado e se desmanchar naquele ferrugem carnal de podridão vindo em direção a câmera, ele logo tirou o filme e colocou outro. Dessa vez um casal num lago perseguia a câmera e se desfazia como um suflair de ossos e carne podres. E por mais que Fábio tentasse colocar algum filme que não fizesse parte dessa franquia, assim que começava os filmes, tudo derretia podre em direção a câmera.

Ele então decidiu lavar o rosto, bloqueou o celular e foi ao banheiro. Jogou bastante água no rosto e quando levantou para olhar no espelho, seu próprio rosto foi criando furos e feridas e foi consumido junto com o espelho. Ele tropeçou para trás e caiu desesperado. Pegou logo o celular e saiu correndo da casa para ver sua irmã que morava na rua ao lado.

Fazia uma tarde gelada de inverno, e uma neblina densa tomava conta da rua. Sua irmã e seu cunhado estavam na sala e logo o chamaram pra entrar sem aparecerem na porta. Quando entrou na sala, Fábio examinou os cantos e foi logo perguntando se estava tudo bem, mas quando ambos sentados no chão se viraram para responder, não havia mais rostos. No lugar dois buracos corroídos em centenas de pequenas feridas o mirava dizendo que estava tudo bem, logo antes de começar cair pedaços dos rostos no tapete que também começava se corroer. Fábio ofegava, suando frio. As paredes começaram se desmanchar logo antes dele conseguir sair da casa e correr para casa de seus pais na rua de cima. Para todos os lados que olhava, as grades se desmanchavam naquele ferrugem orgânico de carne e ossos, os telhados, portas, janelas. O medo ja gritava de seus ossos e ele mal conseguia respirar.

Seu pai regava o jardim em frente a casa com uma mangueira, Fabio se aproximou devagar e chamou hesitante, uma última esperança na sua voz trêmula. Mas então para seu completo horror a água da mangueira começou apodrecer, e então a própria mangueira, a mão de seu pai, braço, ombro, até o corroer por completo. A casa ao fundo ja caía apodrecida, até a grama tinha furos podridos se espalhando. Fábio ajoelhou e olhou para o céu, mas tudo já estava coberto de carne apodrecida, as nuvens, a neblina, o medo o corroía por dentro, desejou nunca ter clicado naquele maldito filme e sentiu quando seus dentes foram consumidos pela podridão, seus lábios, sua pele. Seu mundo era medo.

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