Breno já sabia ao cumprimentar pela primeira vez alguém, qual seria a última vez que se veriam. Sua primeira lembrança foi de ver sua mãe sobre uma cama de hospital fechando os olhos, porém isso nunca tinha acontecido, foi sua primeira visão quando era crianca e encostou nela.
O garoto passou a adolescência se escondendo, com medo de saber como se despediria das pessoas que passavam pelo seu caminho. Se apaixonou pela primeira vez aos 13 anos e chorou a semana inteira pensando no dia que a garota iria lhe falar que não podiam mais se ver pois ela tinha conhecido alguém, algo que só aconteceu duas semanas depois.
Apenas depois de alguns anos, quando já estava terminando o ensino médio que ele entendeu uma coisa: não é porque terá um fim que não vale a pena ser vivido. Lidar com a dor por antecedência o machucava, mas com o tempo saber o quanto duraria o fez aproveitar ao máximo cada momento.
Quando perguntavam para ele qual seria o último encontro, ele dizia apenas q não era aquele, mesmo se fosse mentira. Parou de pensar no fim, em estar obsecado com o fim, passou a ver como uma consequência natural, a morte de um relacionamento.
Certo dia ao conversar com um idoso dono do mercadinho do bairro, ouviu que o casamento daquele senhor duraria para sempre, ele tinha certeza. Breno olhou calmamente para o otimista e apaixonado senhor e disse:
_ Que dure muito, e não passe do dia certo de acabar, porque o fim sempre vai chegar. Ele pode ser saudável ou não. Mas a ausência dele nunca será saudável.
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