Élon acordou para mais um dia, estava ansioso com a perspectiva de reencontrá-la depois de tanto tempo. Não que ainda a amasse, mas precisava de uma lembrança dum tempo menos complicado.
Lutando para manter os olhos abertos, se encaminhou para o banheiro escuro e estreito. Naquele momento desejou que os primeiro raios de Sol entrassem pela janela, para que algo ao menos clareasse em meio a tantos vultos conhecidos que assombravam seu interior. Por algum motivo ele sentiu como se necessitasse daquilo, do calor do Sol derretendo sua frieza.
Ele olhou de esguelha para a janela minúscula e talvez tenha desejado tanto que viu o raio amarelo tão agradavelmente ofuscante atravessar o vidro. Que incrível coincidência, pensou, mas seria mesmo? Será que não já começara a alucinar, a aceitar que seus desejos fossem realidade, mesmo não sendo? Mas o calor lhe foi real demais para duvidar.
Desviou-se, então, para a janela e apreciou aquele raio guerreiro, que vencia casas e mais casas amontoadas como torres de miséria. Élon sabia que não podia reclamar, não chegava a ser uma favela de barracos ou coisa do tipo, era só seu velho e pobre bairro que de tão mal construído, tinha ruas rodeadas dos quatro lados por casas, de modo que o único jeito de entrar ou sair era por becos ou vielas. Tinha também os cruzamentos confusos que convergiam cinco ruas movimentadas, o que causava uma decoração de natal em tempo integral, ou pelo menos quando os semáforos estavam funcionando. Na verdade, Nova Trélis chegava a parecer uma obra abstrata de arquitetura. Apesar de tudo, aquele excêntrico lugar era pacífico, sem altos índices de criminalidade. Elón creditava isso ao fato de cada rua, beco ou viela serem muito bem iluminados.
Mas nada se comparava a luz do Sol. Ele apreciou o silêncio matutino que, mal sabia, se tornaria tão raro a ele. Parado ali, só sabia que aquele dia marcaria sua vida, de um jeito ou de outro. Só o fato de revê-la já era algo que o mudaria. Ao menos aquela expectativa de semanas terminaria.
Quando saia do banheiro e se encaminhava para o café, já ouvia os primeiros portões abrindo e carros levando as pessoas aos seus dias de stress. Mas o som que realmente o despertou foi aquele tão conhecido lembrete de que o café já estava pronto:
_ Élon, vai se atrasar de novo? Vamos logo – disse em tom impaciente minha mãe.
Não que eu esteja reclamando, mas quando a voz da sua mãe se torna um despertador de todo dia você começa a se irritar com aquele som que diz que você precisa se apressar. Mas sei que distraído como sou, preciso que alguém me lembre que preciso ir e se não fosse por isso me atrasaria todo dia, ou melhor, mais do que já me atraso.
Este pensamento ocorria a Élon enquanto se arrumava. Era incrível como, às vezes, ele se distraia totalmente em seus pensamentos, viajando na sua própria vida, entre passado, presente e futuro. Isso já lhe causara momentos embaraçosos algumas vezes, como na vez que começou a lembrar das praias que tinha curtido nas distantes férias de fim de ano e esqueceu que estava momentos antes conversando com a garota mais linda que já vira. Quando voltou a si, a garota tinha se levantado e estava indo embora murmurando algo como “valeu pelo vácuo, estranho”. Élon se sobressaltou assustado por voltar à realidade e tentou chamá-la de volta, mas ela já tinha ido, levando com ela o que poderia ser a melhor tarde da vida dele.
Pensando naquilo que tinha feito, Élon percebeu que o que o fez viajar até aquelas férias na praia foi a cor dos olhos dela. Tão azuis que quase se conseguia ver as ondas neles. Ele sabia que fazia o tipo romântico, mas aquilo já era demais.
Mas ele aprendeu a lição, já que na próxima vez que a viu, começou uma semana cheia de beijos e momentos de plena felicidade. Porém, a cada encontro, Élon percebeu que aqueles lindos olhos azuis escondiam uma pessoa extremamente soberba e irritante e, ao fim daquela semana, tudo que ele queria era nunca mais ouvir aquela voz que mais parecia a de uma hiena.
_ Élon, vai se atrasar de novo – ele ouviu sua mãe gritar.
Pegou logo seu celular, o pacote de bala e saiu em disparada em direção à porta.
~~
Sentir aquele calor do Sol deu-lhe a impressão de que aquele ia seria bom. Ele começou a trilhar aquele labirinto urbano tão familiar e enquanto entrava numa rua estreita ou descia um escadão, repassava os planos praquele dia. Iria resolver aquele problema que o tinha incomodado durante todo o dia anterior. Afinal, era aquela mancha escura na parede da escola realmente só uma mancha? Tinha tido a impressão que ela se estendia para dentro da parede. Mas quando comentou isso com sua amiga, Manú, ela afirmou que ele estava pirando:
_ Agora deu pra ver buracos em paredes Élon? Não bastavam seus desligamentos do mundo de dez em dez minutos?
Manú estava cada vez mais irritada com os momentos que ele viajava em seus pensamentos, algo que estava sendo mais e mais frequente. Élon desconfiava que não fosse isso que realmente a estava deixando tão irritada, mas toda vez que tentava perguntar sobre, ela ficava ainda mais irritada e se afastava. Mas Élon se sentia agradecido e surpreendido que ela não tivesse se afastado mesmo com todas as vezes que ele simplesmente esquecia que estavam conversando. E, mesmo com todas as vezes que ela se irritava com ele, nunca dera nenhum indício que a amizade entre eles se enfraquecera. Élon sabia que pouquíssimos amigos estariam ainda próximos a ele, com todas essas coisas acontecendo.
Ele virou a esquina da escola, um prédio que fazia jus à arquitetura maluca de Nova Trélis. Tinha sido construída em um enorme barranco, apertada entre casas, de forma que cada andar dela tinha apenas duas salas, uma de frente para a outra, separadas por um estreito corredor. Em uma das extremidades do corredor, havia uma escada em um largo espiral, o que fazia dela um excelente escorrega clandestino do andar mais alto da escola ao mais baixo, que ficava três níveis abaixo da rua. Bastava apenas conseguir uma superfície plana para usar de escorrega e levá-la até o andar mais alto sem que nenhum funcionário visse (nas primeiras semanas de aula, quase todo dia alguém aparecia com um machucado como troféu de ter chegado até o final do escorrega). O curioso é que quase a cada ano, se fazia necessário erguer um ou dois andares, pois mais alunos chegavam à escola do que se formavam.
Sobrevida era agora uma escola magrela e alta, tão alta que podia se vista de qualquer ponto de Nova Trélis. Assim, qualquer aluno muito alto e magro da escola era conhecido como “Sobrevida boy” ou “filho da escola” ou então falavam que ele “estudou tanto que virou a escola”. Élon tinha escapado dessa, mas não de outro apelido: ele era o famoso, ou nem tão famoso assim, “pequeno príncipe”, pois sempre estava em outro mundo.
E lá estava ela, erguida ao topo de Nova Trélis, esperando Élon para mais um dia. Ele logo localizou Manú junto com suas amigas. Todas rindo, menos ela, parecia entediada. Élon logo se encaminhou em direção a ela, mas antes que a alcançasse, ela o viu e como se tivesse acabado de ver um astro da música, correu em direção a ele e o abraçou:
_ Onde você estava pirado? Por que demorou tanto?
_ Eu... hã, não estou atrasado, estou?
_ Não. Vem, preciso conversar com você.
E o puxou pelo braço com tanta força que ele sentiu que se não a acompanhasse, o perderia. Quando haviam se afastado da multidão que esperava para entrar na escola, ele perguntou assustado:
_ O que foi?
_Eu... Só... – E tão de repente quanto cai a chuva, ela começou a chorar.
Tão surpreso quanto poderia ficar, Élon teve o instinto rápido de se colocar na frente dela, de forma que ninguém a pudesse ver. Segurou-a pela mão e a levou para uma pequena mureta onde ela pudesse sentar.
_Calma, calma, eu to aqui – disse ele brandamente - Não vou viajar para o meu mundo agora – E no momento que via um pequeno sorriso se formar nela, a abraçou.
Era estranho vê-la chorar, ela que sempre se mostrava tão forte, com uma língua afiada que deixava qualquer um na escola sem resposta.
_Queria ir para esse seu mundo, to precisando de uma viagem – disse ela, parecendo um pouco mais calma.
_ Então espera aí que eu vou buscar a verdinha.
_ Não essa viagem, besta – disse ela rindo, segurando Élon que, também rindo, voltou do passo que fingira dar.
_ Fala, o que aconteceu? – perguntou ele.
_ Eu não quero falar sobre isso.
_ Não, você precisa falar sobre isso, por isso você me trouxe pra cá.
_ Mas – ela hesitou por um momento – eu não quero começar chorar de novo.
_ Relaxa, ninguém aqui está te vendo, ninguém te viu chorar.
Ela parou por um momento, parecendo tomar fôlego.
_Não aguento mais ficar em casa – começou ela – toda noite meus pais não param de brigar. Quem dera se eles não voltassem para casa, se acabassem cada um no seu canto - Ela parou, como se esforçasse para não voltar a chorar.
_Olha... Você está aqui agora, não... – Mas nesse momento o sinal tocou e Élon se sentiu aliviado, pois não sabia o que falar – Você quer entrar? A gente pode dar uma volta.
_ Não, não, vamos entrar.
E de repente qualquer sinal de tristeza sumiu do seu rosto e ela parecia uma rebelde pronta pra lutar contra uma ditadura. E sem mesmo esperar Élon, partiu em direção ao portão, com ele em seus calcanhares.
Quando atravessavam a estreita passarela que ligava a rua àquele estranho prédio, Élon conseguiu acompanhá-la. Pareciam ter assinado um silencioso contrato de não voltar ao assunto, pelo menos por hora.
_ Agora vamos voltar ao normal pirado, você é o estranho aqui.
_ Osh, mas eu...
_ Não viu nada estranho hoje ainda? – riu-se ela.
E nesse momento Élon lembrou que fora numa parede lá embaixo do abismo que separava a rua da escola que ele vira a mancha. Sem pensar duas vezes, se virou em um pulo e olhou em direção ao abismo que sempre se mantinha inacessível a qualquer aluno. E lá estava ela. Uma mancha que aparentava ter sido feita a tinta, mas parecia se estender para dentro da parede.
_ Olha, ela está lá – e apontando para o local da mancha, quase empurrou Manú em direção à grade de proteção da passarela.
Então, ignorando os olhares que lhes lançavam os alunos que passavam, olhou diretamente para Manú. Sua expressão a princípio era de quem tentava ver o nome de um ônibus que está distante. Porém, depois de alguns instantes naquele curioso esforço, sua expressão se transfigurou para um repentino espanto.
_ Caramba, como eu não tinha visto! Ela está lá, mas eu simplesmente não conseguia vê-la. É como se ela tivesse se formado do nada enquanto eu olhava – Ela parecia, ao mesmo tempo, fascinada e intrigada.
_ Não, ela está lá desde ontem. Por que você demorou tanto pra ver?
_ Eu...
_ E aí, pessoal. Tão olhando o que lá embaixo? – disse uma voz rouca atrás dos dois.
Élon se virou e viu um garoto alto e magro que parecia meio distraído.
_Oi Sandro! Bem... Aquela mancha – disse ele apontando para a mancha.
_Hã? Que mancha? – Sandro olhou rapidamente para onde Élon apontara. Mas parecia preocupado com outra coisa, porque logo desviou o olhar, olhando para os lados, como se procurasse algo ou alguém.
_Que foi? – perguntou Élon.
_Espera, você também não viu?! – disse espantada Manú.
_Pessoal, vamos logo pra sala, todo mundo já entrou – falou Sandro, que parecia querer achar logo um esconderijo, e se jogar dentro.
E ao olhar para os lados, Élon percebeu que Sandro tinha razão, os corredores estavam vazios.
_Caramba! Quanto tempo ficamos olhando praquela mancha? – assustou-se Élon.
_Não, essa não! Seu problema é contagioso Élon, você me infectou, agora estou pirada também –disse Manú batendo com a mão na testa - Ela parecia estar mais confusa do que nunca, enquanto se encaminhavam para a sala.
~~
As salas de aula de Sobrevida eram apertadas, porém extremamente bem decoradas com tudo que um aluno de ensino médio precisa para usar de consulta: tabelas periódicas, fórmulas matemáticas, mapas de todos os lugares que já se ouviu falar, tabelas de gramática e até atalhos de computador. Era realmente a decoração de um templo do conhecimento. Élon, que desde o primeiro dia tinha escolhido sentar perto das paredes que ensinavam por si só, entrou na sala acompanhado pelos dois amigos. Driblando mochilas jogadas ao chão, se espremendo pelos estreitíssimos corredores entre as fileiras de carteiras e se protegendo de pedaços de lápis e bolinhas de papel que já eram tradição no início de cada dia, os três chegaram aos seus lugares e se largaram nas cadeiras. Sandro continuava impaciente, olhando sempre para o celular ou batendo os dedos:
_Que foi Sam? – perguntou Manú;
_Nada.
_Vai logo, desembucha – ela colocou a cadeira perto dele, de maneira que ficava perto dos dois, que sentavam na mesma fileira.
_Só vamos ir rápido embora hoje, está bem? – limitou-se em dizer ele.
Os três iam embora sempre juntos. Se bem que, lembrou Élon, no dia anterior Sandro simplesmente tinha desaparecido no meio da multidão quando atravessam a passarela em direção a saída, no mesmo momento em que Élon tinha reparado na mancha pela primeira vez.
_Onde você se meteu ontem na saída? – perguntou Élon.
_Eu...
Neste instante, um apito fraco soou vindo da porta da sala. Era só o professor de sociologia dando “bom dia” com sua voz tão fina que parecia que tinha engolido um apito.
Enquanto Manú voltava para o lugar dela e a voz do professor apito ecoava pela sala, Élon se sentia desligando do mundo, e aos poucos ia viajando. E de repente aqueles pensamentos que lhe tomaram logo quando acordou voltaram a sua mente.
Cadê que a hora não passa, queria que a gente não tivesse marcado para se ver só à noite, só quero saber o que ela tem para me dizer de tão importante que não podia ser dito por mensagem afinal. Algo que a faria querer me rever depois de tanto tempo. Logo ela que nunca queria se abrir, que sempre me deixava no escuro, vendo apenas o cume da montanha que se colocava entre nós. E como eu iria atravessar essa montanha sem vê-la, sem poder procurar um caminho para me aproximar. Eu procurei alguma luz que pudesse me fazer ver as trilhas dessa montanha e tentei até adivinhá-las. Talvez fossem nossas amizades tão diferentes que impedissem de nos aproximarmos, talvez fosse as nossas tantas mudanças e inconstâncias que tornaram tão difícil escalar essa montanha. Eu não sei. Mas já não importa, porque acabou, eu nem a amo mais. Acabou certo? Essa parte do meu mundo está realmente numa noite escura.
_... E para terminar nossa aula, fica a pergunta para vocês refletirem: É necessário um inimigo comum para unir os interesses da sociedade?
O transcorrer das demais aulas daquele dia se deu de forma tranquila. Porém, Élon percebeu, havia uma tensão no ar, principalmente por parte dos professores que frequentemente olhavam para a porta, como se a qualquer momento fossem receber a notícia da terceira guerra mundial. Duas vezes eles foram chamados de forma soturna pelo inspetor que parecia igualmente tenso. Nessas ocasiões, Élon trocou olhares com os dois amigos e concluiu, pela reação intrigada deles, que também tinham percebido algo estranho no ar.
Não que fosse incomum os professores terem suas aulas interrompidas por chamados dos inspetores em Sobrevida, mas esses chamados normalmente não eram nada amigáveis e, embora tentassem disfarçar, era clara a aversão e inimizade que os professores tinham com o Curvinha, o inspetor carrancudo que era muito conhecido por sua avantajada corcunda. Élon acreditava que essa relação conturbada se devia ao fato de que Curvinha raramente dava razão a algum professor quando prestavam queixa de algum aluno, sempre dizendo que o aluno não teria feito o que estava sendo acusado e que o professor, como educador, tinha o dever de saber resolver os problemas que ocorriam na sala de aula. Apesar disso, Curvinha sempre era o primeiro a defender algum professor quando esse era prejudicado de alguma forma ante a direção da escola e sempre acobertava quando alguém, aluno ou professor, se atrasava.
Naquele dia, porém, os professores não demonstravam alguma irritação com os chamados do Curvinha, e sim preocupação. No único momento que Élon conseguiu ver o rosto do inspetor, achou q vira por um momento ele dar um leve sorriso em sua direção, mas logo a professora Mina tomou a frente dele e bloqueou a visão, continuando numa frenética conversa em murmúrios.
A professora Mina era conhecida assim por sempre no meio de uma explicação em sua aula de Matemática conseguir encaixar um exemplo em que um garoto está dando em cima duma garota e o fictício diálogo sempre começava com: “mina,...”. Porém o sotaque com que ela falava essa palavra, involuntariamente, parecia uma égua mineira guinchando. Daquele jeito cantado tão característico dos mineiros. Hoje, a aula era sobre frações e como não podia deixar de ter, veio o tão já clássico exemplo:
_ Hoje, o Joãozinho vai tentar chamar a Josefina pra comer pizza. “Miiina, topa comer três quintos de uma pizza comigo...”
Nesse momento, como já era tradição, a sala explodiu como se num um gol em final de Copa do Mundo. Após as gargalhadas
(inclusive da professora) a aula prosseguiu e a professora voltou àquele ar preocupado. Logo, chegou a hora do intervalo.
Sobrevida não tinha um pátio, por falta de espaço para acomodar tantos alunos. Então o intervalo era feito ao longo de toda a escola. A cantina ficava no térreo, de forma que ficasse no centro de todos os andares.
Élon, Manú e Sandro costumavam ficar na grande escada em espiral. Dois deles levavam algum lanche e o terceiro a bebida e assim eles revezavam.
_Vocês perceberam, né? – perguntou Élon.
_Eles não estavam conseguindo disfarçar muito bem – respondeu Manú.
_O que será que os estão deixando tão tensos? – perguntou Sandro.
_Não sei, mas seja o que for deixou o Curvinha muito feliz – disse Élon sombriamente.
_ Como assim? – soaram os outros dois em uníssono.
_Vocês não viram? O sorrisinho de canto de rosto dele? Parecia que tinha finalmente conseguido sua aposentadoria.
_Não, se fosse isso os professores estariam dando uma festa – disse Sandro rindo.
Os três riram.
_Será que se nós falássemos com ele... – sugeriu Sandro.
_Nunca, ele nunca fala nada sobre a escola com ninguém, acho que o proibiram – disse Manú.
_Com o tanto de segredo que ele deve saber sobre todos aqui, era de se esperar o proibissem – disse Élon, enquanto comia mais um pedaço do mini bolo que Manú comprara na padaria.
_A mancha! – exclamou Manú, e imediatamente Élon olhou para ela parecendo tão surpreso que a amiga pudesse pensar naquilo.
_De novo essa história de mancha? – disse Sandro exasperado – por que vocês acham que alguém nesta escola ficaria tão tenso por causa de uma mancha?
_É claro – Élon parecia sequer ter ouvido o que Sandro dissera – aquilo não pode ter aparecido do nada.
_Ou pode ter sido um balde de tinta que o Curvinha jogou na parede – disse em tom irônico Sandro enquanto pegava o último pedaço do bolo e então começou a mexer no celular, sem o menor interesse na conversa.
_Mas realmente nem sabemos se eles viram também – disse Manú, tentando buscar um pouco de sensatez.
_Precisamos dar um jeito de ir lá embaixo – disse Élon decidido.
_Como? Ninguém pode descer lá – Manú parecia querer afastar de si a idéia de acreditar que estava vendo algo que só ela e Élon viam. _Mais um motivo. Por que você acha que eles não nos querem
lá?
_Por que não é uma área pedagógica?
_Mas poderia ser – a cada argumento contrário, Élon tinha mais certeza que precisava tirar isso a limpo - Tem um motivo de terem colocado tantos avisos de proibição sobre descer lá.
Houve um segundo de silêncio. Élon olhou de um para o outro. Sandro olhava fixamente pro celular, com uma expressão estranha. Então ouviram o sinal tocar e o intervalo acabou.
_Nós vamos dar um jeito de ir lá – falou Élon totalmente determinado, enquanto se levantavam e seguiam para a abertura do andar em que ficava a sala deles.
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