HERÓIS ANÔNIMOS

Ele viu a rua vazia, seu saco de latinhas amassadas nas costas.

Naquele momento, podia fazer seu trabalho sem sofre preconceito. Caçou bramas de amantes proibidos, skols de mães cansadas, qualquer resquício de uma vida noturna daquela revista escura estrelada que acabava de terminar mais uma edição diária. Hoje estava faturando bem, muitas latinhas e muitas juntas. Ele amava amizade, pois as latinhas estavam mais juntas, mais fácil de pegar, mais fácil de entender: os amantes agora se multiplicavam, os amigos que ficavam por ficar; mães que entendiam que não estavam sozinhas. O  banqueiro que morava ali perto passou:

_ Bom dia, Dr. José, nosso maior orgulho local - disse, fazendo uma continência cordial, o banqueiro!

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